top of page

Da matéria de capa ao post do dia: o que O Diabo Veste Prada revela sobre a mudança dos meios de comunicação

  • Foto do escritor: Gustavo Labadessa
    Gustavo Labadessa
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura
miranda priestly

O filme “O Diabo Veste Prada” é, antes de tudo, um ícone dos anos 2000, mas também é retrato de um momento específico da comunicação: o auge das revistas impressas, quando poucas publicações concentravam poder suficiente para definir o que era relevante.


Hoje, bem ou mal, o cenário é outro. Vivemos na era das redes sociais, onde o editorial deu lugar ao fluxo contínuo de conteúdo muito mais rápido, mais acessível e, muitas vezes, mais descartável. Uma batalha e tanto, não é?


E essa, muito provavelmente, é a trama de “O Diabo Veste Prada 2”:



“Miranda Priestly luta contra Emily Charlton, sua ex-assistente que se tornou uma executiva. Miranda se aproxima da aposentadoria enquanto compete pela publicidade em meio ao declínio da mídia impressa.”


Por isso, hoje vamos usar a história de Andy, Miranda e Emily para entender como as revistas mudaram e o que ganhamos, e perdemos, com essa mudança.


A importância da capa


Quando Edna Moda, a excêntrica estilista da animação “Os Incríveis”, disse: “Nada de capas”, definitivamente não era sobre as capas das revistas.


Durante o auge da revista impressa, a capa era o principal atrativo de uma publicação. Mais do que abrir uma edição, ela sintetizava narrativa, estética e posicionamento, e precisava chamar atenção nas prateleiras das bancas.


Fora que, estampar uma capa de uma grande revista não era só visibilidade, um sinal absoluto de fama e status. Lá em 2003 Kelly Key já cantava:


“Eu quero ser famosa, ser uma grande artista. Gravar comercial, ser capa de revista.”

Key, Kelly. Chic chic, 2003.


Por dentro da revista


Mas o poder das revistas ia, e ainda vai, além da primeira página. Até meados dos anos 2010 elas atuavam como verdadeiras mediadoras de comportamento: apresentavam ao público aquilo que deveria ser consumido, desejado e replicado.


Publicações como a Capricho, por exemplo, eram formadoras de opiniões. Funcionavam como um guia para toda uma geração, definindo o que era preciso para ser descolado, o que era tendência e até como se posicionar socialmente com dicas para tudo o que você pudesse pensar.


Esse comportamento fica evidente em “O Diabo Veste Prada”, onde a Runway Magazine, revista onde Miranda é editora-chefe, é capaz de definir tendências e legitimar nomes. Estar na Runway, não só na capa, significava ser reconhecido como parte do que realmente importava naquele universo, tanto que Andy deseja esse emprego sabendo que depois dele pode conseguir qualquer outro, e ela é “apenas” uma funcionária.


Virar a página


moça mexendo em revista

Hoje, esse papel tão influente da revista não desapareceu, ele só mudou de mãos. Com a popularização da internet e, principlamente, das redes sociais, o que antes era centralizado nas revistas agora se distribui entre criadores de conteúdo e influenciadores.


Existem muito mais conteúdos disponíveis online, em uma velocidade de publicação incomparavelmente maior, então não é mais preciso esperar uma semana ou até um mês para ver em um periódico qual é o assunto do momento, basta abrirmos o celular.


Com isso, muitos defendem que nosso foco e concentração diminuiu com esse excesso de informação e proporcionalmente nossa ansiedade aumentou. Afinal, se um dia nos comparamos aos corpos perfeitos que ilustravam as capas das revistas, hoje nós nos comparamos a corpos, vidas, relacionamentos e tudo mais que podemos ver nos stories de uma celebridade.


O feed de hoje, a revista de ontem


Assim, a mídia impressa perde seu espaço e precisa se adaptar ao digital. Seja por meio de uma versão online, como a Revista Capricho passou a ser (com apenas duas edições impressas por ano, por pedidos dos leitores mais assíduos) e/ou pelos perfis oficiais nas redes sociais como @voguebrasil, @revista.bravo e @revistacasaclaudia.



E em um novo ambiente, levando em conta a concentração em frangalhos do público e, muitos deles, viciados nas redes sociais, a estratégia de comunicação de posts é clara: tudo precisa chamar atenção em segundos.


Os textos longos outrora publicados em revistas perdem espaço para resumos, tudo precisa estar descrito em uma linha ou o leitor perde o interesse. A ideia da capa chamativa continua, mas agora ela tem como objetivo chamar a atenção do usuário para que ele não role o feed e seja atraído por outra publicação.


A queda da criatividade?


Não só os textos precisaram se adaptar aos novos tempos, como a diagramação também. Era muito mais comum anos atrás vermos revistas com visuais mais criativos. Claro, hoje, a maioria dos perfis de revistas esbanjam personalidade e um branding muito bem trabalhado, mas é inevitável comparar e perceber a mudança do digital para o impresso, como esse exemplo abaixo.


anuncio de revista all type

Revistas se adaptando


No fim, como vimos tantas outras vezes, os meios se adaptam ao novo e, mesmo sofrendo com o declínio, as revistas conseguem se adaptar a versões digitais, seja produzindo conteúdo exclusivo para a internet como a Vogue Brasil, seja apenas divulgando suas publicações no feed como a Cool Magazine ou trazendo seu posicionamento e personalidade para o digital como a Capricho.


O que provavelmente vamos assistir no cinema em “O Diabo Veste Prada 2” é justamente esse processo de adaptação aos novos tempos, nesse caso, não só da Revista Runaway, mas também da própria produção audiovisual.

 
 
bottom of page