Publicidade para filmes: Psicose
- Gustavo Labadessa

- 19 de fev.
- 2 min de leitura
Encerrando nossa série sobre “Como o audiovisual vende histórias: a comunicação como ferramenta de divulgação” vamos voltar no tempo uns 65 anos para observar a estratégia de divulgação do clássico Psicose, de Alfred Hitchcock.
Antes de seguir, a fonte deste texto foi, em grande parte, o livro “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose” por Stephen Rebello. Então, já fica a indicação para vocês.
Contexto do clássico Psicose

Caso você não seja muito fã de filmes antigos, "Psicose" é um filme de suspense do famosíssimo diretor Alfred Hitchcock, conhecido por muitos como “Mestre do Suspense”. O filme foi bem revolucionário na época por matar sua protagonista logo na primeira parte. E não, isso não pode ser considerado spoiler, porque o filme é de 1960.
Os pedidos do diretor

A pedido do diretor, desde sua pré-estreia, realizada em Nova York, até o filme sair de cartaz, as peças de promoção do longa informaram que ninguém, absolutamente ninguém, teria permissão de entrar nas sessões de Psicose depois de iniciadas.
Hitchcock já havia solicitado estratégias similares a essa em outra obra, “Um corpo que cai”, quando a entrada de espectadores durante os últimos 10 minutos do filme foi proibida, mas para Psicose, o diretor foi mais audacioso: além de impedir a entrada de pessoas logo no início da reprodução, ele exigiu que essa dinâmica estivesse nos contratos na Paramount com os cinemas.
Os três trailers
Segundo Rebello em seu livro, um dos recursos publicitários mais poderosos para a divulgação do filme foram os três trailers divulgados. Produzidos com 9.619,09 dólares, um deles tornou-se lendário.
A ideia era contar o mínimo da história possível, para que o suspense da trama fosse preservado. Então, o primeiro reforçava a política que comentamos, de não deixar ninguém entrar após o início da exibição, o segundo incentivava a colaboração do público para que não contassem o final do filme.
Por fim, o último trailer lançado era um tour de seis minutos pela casa e motel dos Bates, algo muito diferente para a época, mas nem tanto para o diretor.
Hitchcock já havia explorado a criatividade no trailer de “Festim diabólico”, quando mostrou um personagem sendo assassinado antes do início da trama do filme. Para o trailer de Psicose o suspense foi levado ainda mais a sério e, como pode assistir abaixo, o vídeo mostra apenas o diretor apresentando a casa do horror para o público.
Assim, toda a trama e cenas eram mantidas em segredo ao mesmo tempo em que a publicidade se pautava em Alfred Hitchcock, que já era referência no cinema, como garoto propaganda.
Depois de todas as artimanhas do diretor, o filme foi lançado e se tornou um fenômeno, sendo falado, estudado e conquistando fãs até os dias de hoje. Enquanto isso, a publicidade para o cinema só evoluiu graças a caminhos abertos por profissionais como Alfred Hitchcock.
Hoje, investimentos em publicidade — rios ou até mares de dinheiro, em caso de grandes blockbusters — são feitos para atrair ainda mais pessoas para as telonas das mais diferentes maneiras.
Quem sabe em uma próxima oportunidade não voltamos a falar desse tema?! Até a próxima.


