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Bad Bunny e a estética latino-americana

  • Foto do escritor: Gustavo Labadessa
    Gustavo Labadessa
  • 6 de fev.
  • 4 min de leitura
bad bunny album

Neste domingo Bad Bunny será a grande atração do Show de Intervalo do Super Bowl, um dos maiores eventos esportivos do mundo e também da publicidade. Não só isso, o porto-riquenho já foi notícia esse ano por conquistar três troféus do Grammy 2026, um feito e tanto para quem não esconde suas raízes latinas e faz delas pauta para sua obra. Pensando nisso, hoje vamos prosear sobre Bad Bunny e a estética latino-americana.


A gente já explorou aqui no Blog da Prosear o conceito de folkcomunicação e como ele trabalha tudo o que tem ligação com a cultura popular na comunicação. Desta vez, vamos percorrer alguns pontos e características que fazem a estética latino-americana ser o que é.


A visibilidade latina


frida kahlo mural

Sempre tivemos nomes latinos que permeiam a cultura pop e levam para o mundo traços da nossa cultura da melhor forma possível. Nomes como Rita Moreno (atriz e cantora porto-riquenha), Frida Kahlo (pintora mexicana), Gabriel García Márquez (escritor e jornalista colombiano) têm seus trabalhos eternizados na história.


Na música, Shakira, Ricky Martin, Gloria Estefan entre outros levam a sonoridade latina para os quatro cantos do mundo, mas é inegável que nos últimos anos as vozes latinas ganharam mais força, e vemos nomes como Anitta e Bad Bunny ganharem espaços nunca ocupados antes.


Brasil em cartaz


o agente secreto cartaz
Cartaz de "O Agente Secreto" em referência à obra "Operários" de Tarsila do Amaral.

Ainda não está convencido? Tudo bem, vamos falar de cinema latino-americano, principalmente brasileiro. Mesmo que você viva em uma caverna, você deve saber que nossas produções audiovisuais têm ganhado cada vez mais espaço no mundo, em 2025 com “Ainda Estou Aqui” e agora, em 2026, com “O Agente Secreto”. Fomos destaque nas principais premiações e da melhor forma possível: com longas metragens que fogem da ideia única de pobreza e daquele filtro amarelado caricato que o cinema hollywoodiano insiste em usar para nos representar.


A estética latina


Quando a gente pensa em uma estética latina, seja ela tangível ou não, pensamos em cores, festas, movimento, arte e artesanato, e também em ritos religiosos. Exemplo disso é o Día de los Muertos, no México, e o nosso Carnaval.


desfile grande rio exu
O ator Demerson D'Alvaro representando Exu em desfile da Grande Rio em 2022.

Além disso, há a cultura do cuidado, de ser próximos de família e amigos e demonstrar todo esse afeto através da fala e, principalmente, do toque, aspectos esses que transbordam na estética latino-americana.


Referências


A gente já comentou por aqui a importância de ter um bom repertório, e pra entender Bad Bunny e a estética latino-americana não vai ser diferente. Mas se o problema é a falta de referência, então pode ficar tranquilo! Separamos para você algumas que merecem ser vistas:


Lorenzo Homar:


Lorenzo Homar

O conterrâneo de Bad Bunny é considerado por muitos como o pai do cartaz porto-riquenho. Lorenzo apresenta obras repletas de cores vibrantes, temas folclóricos e engajamento político.


Alfredo Rostgaard:


Alfredo Rostgaard
Alfredo Rostgaard Cancion Protesta 1967

Foi um designer gráfico e artista cubano, responsável por diversos cartazes revolucionários no período de ouro do design político em Cuba. Vale a pena demais conferir seu trabalho!


Filetagem Portenha:


filetagem portenha

Pode-se dizer que esse aqui é o avô argentino do lettering. A filetagem ou fileteado são letras ornamentadas pintadas a mão por artistas que perpetuam essa tradição, que surgiu no final do século XIX em Buenos Aires.


Alejandro Cegarra:



Se está pensando em tirar mais fotos, você precisa conhecer esse fotógrafo. Segundo o próprio Alejandro seu trabalho é pautado na “essência do pertencimento, a busca por um lar e a denúncia das violações dos direitos humanos na Venezuela e no México”.


Tá, mas e a estética Bad Bunny?


Agora que já vimos tudo isso fica claro que o Bad Bunny não cria uma estética nova: ele mostra para o mundo uma estrutura visual, referências visuais e simbologias que já são familiares para a gente aqui na América Latina.


As cores são vibrantes, os contrastes fortes, os objetos e cenários são reconhecíveis e a emoção e nostalgia estão por todo lado. Uma estética profundamente humana que representa toda uma cultura que transborda afeto, rituais religiosos, família e emoção.



E para falar de Publicidade


Falando um pouco do ponto de vista comercial, as publicidades latinas apresentam características muito interessantes que são reflexo da nossa cultura, como cores vibrantes, fontes criativas, família, emoção e festividade.


Que ver isso na prática? É fácil, basta comparar os perfis no Instagram da Avon Brasil e da Avon Alemanha e você vai ver como fica claro o que estamos dizendo.


Além dessas características visuais, existe um resgate da ancestralidade e da conexão com a natureza, aspectos muito presentes na nossa vida.


Geralmente, nossas produções, sejam gráficas, audiovisuais ou qualquer outra, são mais vivas, expressam movimento e energia.


Marcas que apresentam o DNA brasileiro — e latino no geral — como Natura, Havaianas, Guarará, são coloridas, com músicas animadas, passam alegria, festividade e natureza, mas, longe de querer associar latinos ao estereótipo da floresta, selvagens e natureza, e sim exaltando nossas belezas naturais, já que eles têm concreto e torre de ferro, enquanto nós temos vida, movimento e verde. E isso fica claro nos comerciais abaixo:


Natura Ekos - Amazônia Viva



Givenchy L'Interdit Eau de Parfum Rouge



A América Latina é uma região de muitas culturas, muitos povos e muitas histórias, então não faltam recursos para alimentar a nossa criatividade. Inclusive, ano passado, o Brasil foi eleito como “País Criativo do Ano” em Cannes Lions.


Já entendemos que o mundo, mais uma vez, está de olho na gente. Então, agora é hora de olharmos para nós e mudar essa postura que admira tanto as produções estrangeiras — seja ela filmes, arquitetura, arte, música — e passar a enaltecer o que nós temos a oferecer pro mundo.

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